Um gesto, um vídeo, uma crise global
Um vídeo de poucos segundos capturado no US Open viralizou em agosto de 2025. Nele, Piotr Szczerek, CEO da empresa polonesa Drogbruk, é flagrado pegando o boné autografado por um tenista — que seria entregue a uma criança — e tomando-o para si.
A cena foi compartilhada em massa e se tornou um símbolo instantâneo de abuso de poder e falta de empatia. Poucas horas depois, a imagem do executivo (e da empresa que ele representa) estava em xeque no mundo inteiro.
A dinâmica da indignação digital
O que explica o poder desse vídeo?
Narrativa clara em segundos: um adulto em posição de poder tirando algo de uma criança é facilmente interpretado como injustiça.
Repercussão instantânea: o conteúdo circulou em portais, redes sociais e grupos de mensagens, amplificado pelo choque moral.
Contraponto positivo: o tenista Kamil Majchrzak encontrou a criança e devolveu o boné, reforçando ainda mais a crítica ao comportamento do CEO.
Esse ciclo ilustra como a reputação hoje é moldada em tempo real, com a narrativa construída pela audiência antes mesmo da empresa reagir.
O que está em jogo para marcas e líderes
Esse episódio não é sobre esporte, mas sobre branding. Alguns pontos estratégicos:
Liderança como extensão da marca: um CEO não é só gestor, mas o rosto vivo da empresa. O que ele faz em público reverbera na percepção do negócio.
Reputação corporativa é intangível, mas frágil: a Drogbruk viu sua imagem internacional ser associada a arrogância e desrespeito — mesmo sem relação direta com seus produtos.
Gestão de crise exige preparo: a reação do CEO, com justificativas evasivas e ameaças de ação judicial, só agravou o problema (InfoMoney).
Branding e valores ativados (ou destruídos)
O marketing de marca se sustenta em valores como confiança, respeito e proximidade com o público. Nesse caso:
Confiança → Abalada: se o líder não age de forma ética, como confiar na empresa?
Respeito → Violado: a cena com uma criança gerou indignação moral imediata.
Proximidade → Perdida: ao invés de empatia, o gesto projetou distanciamento e arrogância.
É um exemplo claro de como um ato individual pode colidir com o discurso de marca e corroer anos de construção de reputação.
O que empresas podem aprender com o caso
Treinar lideranças para consciência de papel: o cargo não tem “botão desligar”. Fora do escritório, o líder continua sendo marca.
Construir protocolos de gestão de crise: respostas precisam ser rápidas, humanas e transparentes.
Alinhar comportamento e discurso: se a marca fala de respeito e proximidade, seus líderes precisam encarnar esses valores em cada gesto.
Monitorar e aprender com redes sociais: a reação da audiência é um termômetro poderoso do que a sociedade espera de empresas e gestores.
Provocação final
No branding, falamos de propósito, missão e cultura. Mas no mundo hiperconectado, tudo isso pode ser resumido em segundos de vídeo.
A pergunta que fica para profissionais de marketing e comunicação é: sua marca está preparada para reagir quando a reputação da liderança se torna uma crise pública?